O clube não cresceu, foi construído. Em 2009 a Red Bull comprou os direitos esportivos do SSV Markranstädt, um time da quinta divisão da Saxônia, e o registrou como RasenBallsport Leipzig, nome escolhido porque a federação alemã não permite marca comercial na razão social de um clube, e RasenBallsport, futebol de gramado, permite abreviar como RB. O plano declarado era chegar à Bundesliga em oito anos. Antes de escolher Leipzig, a empresa passou três anos e meio procurando lugar na Alemanha e considerou Hamburgo, Munique e Düsseldorf.
A subida saiu no prazo. Da quinta divisão em 2009 o clube passou pela Regionalliga Nordeste, que ganhou em 2013, pela terceira divisão e pela segunda, e chegou à Bundesliga em 2015-16. Na temporada de estreia na elite terminou em segundo lugar e se classificou para a Liga dos Campeões, o que nenhum estreante alemão tinha feito. Em 2020 chegou à semifinal da Champions. Os dois primeiros títulos nacionais foram as Copas da Alemanha de 2022 e 2023, ganhas em sequência, e a Supercopa veio em 2024.
A entrada do clube na elite é a controvérsia mais duradoura do futebol alemão. O modelo alemão tem a regra dos 50 mais 1, que exige que os sócios mantenham a maioria dos votos, e o RB Leipzig cumpre a letra dela com um número de sócios votantes que ficou por anos abaixo de vinte, quase todos ligados à empresa. Para boa parte da Alemanha isso é a negação do que um clube é. Do outro lado, há quem defenda o projeto como a única tentativa séria de instalar um clube de primeira divisão no leste do país, que desde a reunificação praticamente não tem representante na elite.
O que o clube construiu de melhor não foi o time, foi o mecanismo de compra e venda. A lista das dez maiores vendas soma mais de 700 milhões de euros e é quase toda de jogadores comprados antes dos 22 anos: Yan Diomande por 125 milhões ao Real Madrid em 2026, Joško Gvardiol por 90 ao Manchester City, Benjamin Sesko por 76,5 ao Manchester United, Dominik Szoboszlai por 70 ao Liverpool, Xavi Simons por 65 ao Tottenham, Dani Olmo por 61 ao Barcelona. Do outro lado, nenhuma compra da história passou de 50 milhões.
A casa é a Red Bull Arena, o antigo Zentralstadion, com 47.069 lugares, construído dentro da estrutura de um estádio de 1956 na Am Sportforum. O apelido é Die Roten Bullen, os touros vermelhos. Aos dezessete anos de idade o clube tem dois títulos nacionais, uma semifinal de Liga dos Campeões e nenhuma década de história para contar, e é exatamente por isso que ele é o clube mais bem preparado da Alemanha para uma carreira: o elenco de 2026-27 tem doze jogadores de 22 anos ou menos e um teto de venda de 125 milhões.