A fundação foi decisão de gabinete: em janeiro de 1969 a federação francesa montou uma comissão para dar à capital o clube de primeira divisão que ela não tinha. Uma consulta pública com mais de 60 mil respostas escolheu o nome, à frente de Racing Club de Paris, e a filiação saiu em 13 de dezembro daquele ano. O modelo foi copiado dos 100 mil sócios do Real Madrid, e 17.400 pessoas se inscreveram como sócias em fevereiro de 1970. Sem equipe e sem estádio, o clube só entrou em campo pela fusão com o Stade Saint-Germain, em junho de 1970, que criou o Paris Saint-Germain.
A separação de 1972 foi uma votação perdida por três votos. Em dezembro de 1971 o Conselho de Paris exigiu, por 46 a 44, que o clube passasse a se chamar Paris Football Club, sob pena de cortar a subvenção e fechar o Parc des Princes, e a assembleia de 16 de maio de 1972 reuniu 623 dos 626 votos necessários. Na separação, este clube ficou com a vaga na primeira divisão e com o Parc des Princes, e o PSG recomeçou na terceira. Cinquenta e quatro anos depois, um dos dois tem trinta troféus e o outro não tem nenhum.
A queda foi imediata: rebaixamento em 1974 com Jean Djorkaeff e Louis Floch lesionados, perda do status profissional e o PSG subindo para herdar o Parc des Princes. Exilado na Porte de Montreuil, o clube teve os vestiários destruídos por um incêndio. Em 1982 Jean-Luc Lagardère o comprou, rebatizou de Racing Paris 1 e em 1983 anexou o time principal ao Racing Club de France: reserva e base foram jogadas na quarta divisão como Paris FC 83 e de lá caíram para a Divisão de Honra de Paris.
Não existe um único título em cinquenta e sete anos de história. A lista de troféus vem vazia, e ela está certa: o clube passou a maior parte da vida entre a segunda e a terceira divisão, e duas vezes quem o salvou foi a contabilidade dos outros, com as punições da DNCG a Sedan, Le Mans e Rouen em 2013 e a do Bastia em 2017. Perdeu quatro playoffs de acesso, um deles nos pênaltis para o Lens em 2019, e a subida à Ligue 1 é de 2 de maio de 2025, quarenta e seis anos depois da última vez na elite.
O apelido é Les Bleus, pela cor da camisa, e o escudo traz a Torre Eiffel. Até 2025 a casa era o Charléty, no 13º arrondissement, onde a bilheteria de graça de 2023-24, caso único no futebol profissional francês, levou 17.358 pessoas contra o Saint-Étienne. Desde 2025 o clube joga no Stade Jean-Bouin, com 20 mil lugares, no 16º arrondissement, do outro lado da rua do Parc des Princes, como inquilino do Stade Français de rúgbi até 2029.
O que mudou tudo foi a propriedade. A família Arnault, dona da LVMH, comprou o controle do clube em 2024 com 52,4% pela Agache, o Red Bull ficou com 10,6% e o orçamento da estreia na Ligue 1 foi de 120 a 130 milhões de euros, o quarto da divisão. As cifras deixaram de parecer as de um clube sem títulos: Patrick Zabi custou 25 MILHÕES de euros ao Reims em 2026, Diego Coppola 17,5 ao Brighton, Otávio 17 ao Porto, Pablo Pagis 15 ao Lorient, Rudy Matondo 15 ao Auxerre e Luca Koleosho 14 ao Burnley. A maior venda da história são 8 milhões de euros, de Silas ao Stuttgart em 2019. A casa compra por 25 e vende por 8, o inverso exato de todos os outros clubes deste guia, e o elenco de 2026-27 tem apenas VINTE E SEIS jogadores, com dois goleiros, sendo um deles de 36 anos.