As origens do clube não estão bem documentadas, e a maior parte das fontes aponta 1906 e o nome Racing Club lensois. O apelido é Les Sang et Or, o sangue e o ouro, das cores tradicionais vermelho e amarelo. A cidade tem 31 mil habitantes e o estádio, o Bollaert-Delelis, tem 38.223 lugares, mais lugares que habitantes, a maior proporção da Europa, e o dado que explica tudo o que este clube é.
O único campeonato francês é de 1997-98, ganho por um ponto sobre o Metz, e o clube foi vice-campeão cinco vezes, a última em 2025-26. A Copa da Liga veio em 1999 e as três Copas Charles Drago nos anos 1950 e 1960. A Copa da França demorou: o Lens perdeu três finais e só ganhou a primeira em 2026, e no mesmo ano levantou também a primeira Supercopa da França da história dele.
A cidade é o coração da bacia carbonífera do norte da França, e a identidade do clube é operária de forma literal: por décadas o Racing foi financiado pela companhia de mineração local, e a torcida vem das famílias de mineiros polonesas e italianas que chegaram no começo do século XX, o que explica por que a lista de jogadores históricos está cheia de Wisniewski, Placzek, Zuraczek e Sikora.
O clube atravessou quatro rebaixamentos e quatro títulos de segunda divisão, o último em 2009, e passou temporadas na terceira divisão nos anos 2010. A volta à elite em 2020 abriu a melhor fase moderna: o segundo lugar de 2022-23 levou o Lens à Liga dos Campeões, e o de 2025-26 veio junto com a Copa da França e a Supercopa.
O que sustenta isso é o mercado, e as cifras não parecem de um clube de uma cidade de 31 mil habitantes. As dez maiores vendas somam mais de 289 milhões de euros: Mamadou Sangaré por 48 ao Brentford em 2026, Loïs Openda por 40 ao RB Leipzig, Abdukodir Khusanov por 40 ao Manchester City, Elye Wahi por 27 ao Olympique de Marselha, Seko Fofana por 25 ao Al-Nassr, Kevin Danso por 25 ao Tottenham. A maior compra da história são 30 milhões, e o elenco de 2026-27 tem um meio-campista de DEZESSEIS anos.