O clube vem de dois times fundados em 1904: o Freiburger Fußballverein 04, criado em março, e o FC Schwalbe Freiburg, dois meses depois. Os dois trocaram de nome várias vezes (o Schwalbe virou FC Mars em 1905 e Union Freiburg em 1906, e o FV 04 virou Sportverein Freiburg 04 em 1909) até que em 1912 o SV e o Union se juntaram para formar o Sportclub Freiburg, adotando na mesma data a cabeça de grifo que ainda está no escudo.
As décadas seguintes foram de arranjos improvisados que dizem muito sobre o tamanho da casa. Em 1918 o clube fez um acordo temporário com o Freiburger FC para conseguir montar um time completo, chamado KSG Freiburg. Em 1919 virou o departamento de futebol do FT 1844 Freiburg. Em 1928 passou a dividir estádio com o PSV Freiburg, até o PSV quebrar em 1930, e em 1938 voltou ao FT 1844. Nada disso é folclore: é como um clube pequeno sobrevive.
O clube NÃO TEM nenhum título nacional de primeira grandeza. A sala de troféus tem quatro campeonatos da segunda divisão, o último em 2016, e duas Copas do Sul de Baden, a última em 1978, e é justamente essa ausência que faz o Freiburg o caso mais interessante do futebol alemão, porque ele é hoje um clube de primeira divisão estável, com estádio novo e uma das melhores categorias de base do país, sem nunca ter ganhado nada.
Duas pessoas explicam isso. Volker Finke dirigiu o clube de 1991 a 2007, dezesseis temporadas, e Christian Streich de 2011 a 2024, treze, os dois ciclos mais longos de técnico em um clube na história da Bundesliga, no mesmo clube, quase em sequência. Nesse período o Freiburg subiu e desceu, se estabeleceu e passou a exportar jogador de seleção. De 1954 a 2021 a casa foi o Dreisamstadion, um estádio de bairro; desde 2021 é o Europa-Park-Stadion, com 34.700 lugares.
O que sustenta tudo é a base e a venda. O elenco de 2026-27 tem SETE jogadores formados na casa, mais que qualquer outro clube desta coleta, incluindo o goleiro titular avaliado em 25 milhões de euros e o capitão, que está no clube desde 2012. As dez maiores vendas da história somam mais de 220 milhões: Johan Manzambi por 60 milhões ao Aston Villa em 2026, Kevin Schade por 25 ao Brentford, Merlin Röhl por 25 ao Everton, Çağlar Söyüncü por 21,1 ao Leicester, Ritsu Doan por 21 ao Eintracht Frankfurt, Nico Schlotterbeck por 20 ao Borussia Dortmund. A maior compra são 12 milhões.