Fundado em 1906 como Club Deportivo de la Sala Calvet, na maior cidade do norte da Galícia, por um grupo liderado por Federico Fernández-Amor Calvet e com Luis Cornide Quiroga na primeira presidência, é o clube de futebol mais antigo da região. O título de Real veio por ordem de Alfonso XIII em 4 de fevereiro de 1909. Joga no Riazor, à beira do Atlântico, inaugurado em 1944 com 33.500 lugares, reduzido a 28 mil para a Copa do Mundo de 1982 e reformado no fim dos anos 1990 até virar o maior estádio galego. A camisa azul e branca listrada rendeu o apelido: Os Branquiazuis.
De 1972-73 a 1991-92 não houve primeira divisão, dezoito anos que incluíram a queda à TERCEIRA divisão em 1973-74, com dívida crescente e três técnicos demitidos. A virada tem nome: Augusto César Lendoiro, eleito em 1988 numa assembleia aberta com o lema camina o revienta, ficou quase vinte e seis anos no cargo e pôs Arsenio Iglesias no banco. A subida saiu em 1991, num 2 a 0 sobre o Real Murcia no Riazor com dois gols do sérvio Stojadinović.
O campeonato espanhol de 1999-2000 é o único título de LaLiga da história do clube, e ele coroou uma década que ficou conhecida como SuperDepor. Antes disso, em 1994, o título se perdeu na última rodada por um pênalti aos 89 minutos contra o Valencia, dentro do Riazor: o especialista Donato já tinha sido substituído, Bebeto não quis a bola, Miroslav Djukić chutou fraco e o Barcelona, que vencia o Sevilla por 5 a 2, ficou com a taça. É a cena mais lembrada do futebol espanhol dos anos 1990.
Há ainda duas Copas do Rei, 1995 e 2002, três Supercopas da Espanha, a última em 2002, e a Copa Intertoto de 2008. Na Europa foram cinco Ligas dos Campeões seguidas, de 2000 a 2005, com quatro pódios no campeonato e vitórias em Old Trafford, Highbury e San Siro. A semifinal de 2004 veio de uma virada apontada como uma das maiores da competição: depois de perder por 4 a 1 em Milão, o time fez 4 a 0 no Milan de Carlo Ancelotti no Riazor. O Porto barrou na semifinal, com 0 a 0 em Portugal e vitória por 1 a 0 na Coruña.
Depois veio o colapso. A dívida passou de 100 milhões de euros e virou o maior concurso de credores do esporte espanhol; o banco Abanca converteu até 35 milhões em ações e assumiu o controle, encerrando o capitalismo popular de Lendoiro. O rebaixamento de 2020 foi decidido no saldo, com os mesmos 51 pontos da Ponferradina, e a queda seguiu até a TERCEIRA divisão, onde o clube passou quatro temporadas: dezesseis anos separam a semifinal de Liga dos Campeões dessa queda. A volta foi construída na academia de Abegondo.
As dez maiores vendas somam mais de 155 milhões de euros e são quase todas do período de ouro: Flávio Conceição por 25 ao Real Madrid, Rivaldo por 23,5 ao Barcelona em 1997, Albert Luque por 20 ao Newcastle, Lucas Pérez por 20 ao Arsenal em 2016 e Roy Makaay por 19,75 ao Bayern de Munique. O elenco de 2026-27 tem vinte e nove jogadores, SETE deles do Deportivo Fabril, e um centroavante de TRINTA E SETE anos que já foi eleito o melhor da África. A temporada marca a volta à LaLiga depois de OITO anos fora, quatro na segunda divisão, um na Segunda B e três na Primera Federación, e em 23 de junho de 2026 a assembleia de acionistas trocou o nome do clube para Real Club Deportivo de A Coruña, com 79,41% dos votos válidos.