O futebol chegou a Vigo pelos operários britânicos da Eastern Telegraph Company, que em 1895 montaram o Exiles Cable Club. De 1905 saíram o Fortuna e o Vigo Football Club, e entre 1906 e 1923 um dos dois ganhou TODOS os campeonatos da Galícia. Foi o jornalista Manuel de Castro, o Handicap, quem fez campanha por um clube único: em 23 de agosto de 1923, às dez da noite, a fusão do Real Fortuna com o Real Vigo Sporting aprovou os estatutos e criou o Celta, nome escolhido num concurso que derrotou Breogán e Club Galicia. O primeiro presidente foi o conde de Torre Cedeira, e o elenco herdado tinha 64 jogadores, tantos que virou time A e time B.
Os Celestes, pelo azul-celeste da camisa, jogaram no velho campo de Coya, apelidado A Catedral, até Balaídos abrir em 1928 com 7 a 0 no Real Unión de Irún. Hoje são 24.870 lugares na maior cidade da Galícia, de 300 mil habitantes. O começo nacional foi ruim: em 1928-29 a casa achava que tinha direito à primeira divisão, perdeu a promoção para o Sevilla, terminou nona entre dez na Segunda e caiu para a Terceira, a única vez na história. Ainda assim são sessenta temporadas na elite, mais que qualquer clube galego, e o décimo lugar da tabela histórica.
A melhor equipe da história foi a de Ricardo Zamora, o goleiro lendário virado treinador: em 1947-48 o Celta terminou em quarto, bateu o Real Madrid por 4 a 1 em Vigo e em Chamartín, e Pahiño foi pichichi do campeonato com 23 gols. A final de Copa daquele ano, em 4 de julho, foi perdida por 4 a 1 para o Sevilla, e do pior jeito: o goleiro Simón se machucou, o regulamento não permitia substituição, e o time jogou com dez, com Gabriel Alonso no gol levando dois nos quinze minutos seguintes.
Não existe título nacional em cento e três anos. São TRÊS finais de Copa do Rei perdidas, em 1948, 1994 e 2001, as duas últimas para o Zaragoza, a de 1994 nos pênaltis no Vicente Calderón com 25 mil torcedores viajados de Vigo. O que há na sala é a Copa Intertoto de 2000, ganha do Zenit de São Petersburgo, e três campeonatos de segunda divisão, o último em 1992.
Em 1995 a Lei do Esporte exigia aval contra dívida até 1º de agosto, e Celta e Sevilla foram rebaixados administrativamente à Segunda B por não entregarem. A pressão das torcidas fez a federação recuar. O quarto lugar de 2002-03, com Pablo Cavallero levando o troféu Zamora, deu a única Liga dos Campeões da casa, encerrada nas oitavas pelo Arsenal. Depois veio a conta: 84 milhões de euros de dívida e pedido de recuperação judicial em 20 de junho de 2008. A semifinal de Liga Europa de 2017, contra o Manchester United de Mourinho, é a campanha continental mais longa da história.
O que este clube faz melhor que quase todo mundo na Espanha é formar. A academia de A Madroa produziu Iago Aspas, Denis Suárez, Brais Méndez, Gabri Veiga e Fer López, e os três últimos foram vendidos por 30, 14 e 23 milhões de euros. Claude Makélélé saiu daqui por 14 milhões ao Real Madrid em 2000 e ganhou duas Ligas dos Campeões depois. A maior compra da história são 15,04 milhões, de Jørgen Strand Larsen em 2022, revendido por 27 ao Wolverhampton três temporadas depois. NOVE jogadores do elenco de 2026-27 vieram do Celta Fortuna. São vinte e quatro nomes, com apenas TRÊS meio-campistas centrais, o menor número de qualquer clube desta coleta.